Como migrar do Windows para o Linux?

Como migrar do Windows para o Linux? Essa é a pergunta que muitos usuários se fazem quando buscam uma alternativa ao sistema operacional da Microsoft, seja por necessidade, ideologia, preferência, economia ou outros motivos.

Resposta curta: vá de Linux Mint Cinnamon! É um dos mais similares ao Windows em termos de funcionalidade, rapidez da interface gráfica e atalhos de teclado. Outros pontos positivos são um repositório extenso de aplicativos e consumo relativamente baixo de memória (em torno de 700MB). Baixe o arquivo ISO da versão Cinammon 64-bit desta página, grave-o num pendrive usando o aplicativo Rufus, use o pendrive para dar boot no computador, experimente o sistema operacional e, se desejar, faça a instalação.

Para uma resposta mais longa, continue lendo!

Quem nunca teve contato com o universo Linux pode facilmente ficar perdido: são muitas e muitas opções. Há centenas de distribuições diferentes, com dezenas de ambientes gráficos diferentes. Há siglas para todos os lados, muitos conceitos novos e poucas explicações adequadas para iniciantes. Esperamos que este artigo ajude a esclarecer algumas dessas dúvidas.

Tudo começa quando você decide instalar na sua máquina um sistema operacional baseado em Linux. O próximo passo é escolher uma distribuição. Mas o que é uma distribuição? Por que eu tenho que escolher uma?

Para entender esse ponto, vamos ser rigorosos na terminologia: Linux não é um sistema operacional. Linux é o nome de um núcleo de sistema operacional. O núcleo é a parte mais interna do S.O., que cuida de aspectos mais próximos do hardware. É o tal do kernel, que nada mais é do que núcleo, em inglês.

Quando a Microsoft lança uma versão do Windows, ela entrega todo um pacote de programas, como Bloco de Notas, Calculadora, Internet Explorer, Media Player etc. A Microsoft decide quais programas entram e como eles serão. Ela é a única empresa que pode montar esse pacote, pois detém direitos reservados sobre o produto Windows, um software proprietário.

No mundo Linux, é diferente. O software é livre: não existe uma empresa controlando o que pode ou não ser feito. Quando você "baixa o Linux para instalar", na verdade, está baixando um pacote, composto pelo núcleo de um sistema operacional (o verdadeiro Linux) e mais um monte de programas ao redor, como editor de texto, navegador web, drivers etc. É esse pacote que chamamos de distribuição.

Existem diversas distribuições. Uma das mais famosas é o Ubuntu. Ele foi criado por uma empresa chamada Canonical. Ao baixar o Ubuntu, você irá baixar o pacote que a Canonical montou, contendo os programas que ela julgou serem úteis aos seus usuários. A Microsoft faz algo similar com o Windows, com a diferença de que ela é a única empresa que distribui o Windows. Já os sistemas baseados em Linux são distribuídos por inúmeras empresas. Cada uma monta seu próprio pacote, do seu jeito. É por isso que existem várias opções de distribuições Linux para usar.

Agora que já vimos o que é distribuição Linux, vem a pergunta: como escolher uma? Vai depender muito da sua necessidade. Existem opções adequadas para usuários finais, outras para servidores, outras para computadores antigos, outras para usuários avançados… São muitas: Ubuntu, Fedora, CentOS, Slackware, Linux Mint, openSUSE, ArchLinux, Debian…

No mundo Linux, existem diversas opções para cada componente, inclusive interface gráfica. São muitos nomes: Unity, KDE, GNOME, Cinnamon, MATE, XFCE, LXDE… Em geral, cada distribuição possui uma interface gráfica padrão, mas também oferece outras alternativas. Por exemplo, existe o Linux Mint com Cinnamon e existe o Linux Mint com MATE. Existe o Ubuntu com Unity, com GNOME, com MATE, com XFCE…

Para ter certeza de qual distribuição e interface gráfica irão agradar a você, só mesmo testando. Felizmente, costuma possível fazer isso sem instalar nada na máquina. Ao gerar um pendrive com uma distribuição Linux e usá-lo para dar boot, a distribuição será carregada como se tivesse sido instalada, dando a você a chance de usar antes de instalar.

Pessoalmente, sou usuário de Windows há, pelo menos, 20 anos. Estou muito acostumado com algumas funcionalidades, como os atalhos de teclado e a busca por programas simplesmente pressionando a tecla Windows e digitando um termo qualquer. Além disso, dou muita importância para a velocidade da interface gráfica, algo muitas vezes deixado de lado nas interfaces das distribuições Linux.

Buscando uma opção similar ao Windows, testei inúmeras distribuições: Ubuntu, Zorin, Fedora, Elementary, Linux Mint, Puppy Linux, Arch Linux, Manjaro, Solus... Também experimentei diversas interfaces gráficas: Unity, KDE, XFCE, LXDE, GNOME, Cinammon, MATE…

Minha melhor experiência foi com a distribuição Linux Mint usando a interface gráfica Cinnamon. Ela é bastante leve e rápida, além de bonita e funcional. Os atalhos de teclado são quase todos iguais aos do Windows (uma exceção é travar a máquina: CTRL-ALT-L, em vez de Windows-L). A busca por programas no "menu iniciar" funciona perfeitamente, sendo até mais rápida que a do Windows. A interface Cinnamon é bastante completa, intuitiva e configurável. Recomendo-a se você tiver 4GB de memória ou mais. Para computadores com menos do que isso, pode valer a pena experimentar a XFCE no lugar, que é um pouco mais leve e ainda boa, embora com menos funcionalidades.

Uma vez que você tenha escolhido sua distribuição e a respectiva interface gráfica, é hora de fazer o download. É comum o oferecimento em forma de arquivo ISO. Um ISO é como se fosse o conteúdo de um DVD condensado em apenas um arquivo. Você pode usar um aplicativo para gravar esse conteúdo em um DVD físico, mas costuma ser mais prático gravar esse conteúdo em pendrive.

No site da distribuição Linux, você geralmente encontra a opção de baixar o arquivo ISO diretamente do servidor da empresa ou por meio de torrent. Esse mecanismo de compartilhamento de arquivos torna o download mais rápido. Mas, para isso, você precisará possuir algum aplicativo cliente de torrent, como o Transmission.

Uma etapa opcional após baixar o arquivo ISO é verificar sua integridade. Isso serve para determinar se o arquivo foi baixado corretamente ou se está corrompido. Caso esteja corrompido, será necessário baixá-lo de novo. É a isso que se referem os valores de MD5, SHA-1, SHA-256 ou similar (o chamado valor de hash), comuns de serem mostrados nos sites das distribuições. Para calcular o valor de hash do arquivo baixado, será preciso usar um aplicativo para isso, como o HashMyFiles para Windows. Após o cálculo, verifique se o valor calculado é o mesmo que foi mencionado no site da distribuição, indicando que o arquivo está íntegro.

Tendo o ISO correto em mãos, um jeito fácil de gravar o ISO em pendrive no Windows é por meio do aplicativo Rufus. Você gera um pendrive "bootável", o que significa que você pode ligar o computador com o pendrive conectado e seu computador irá carregar a distribuição Linux presente nele, em vez de carregar o boot normal do Windows. Para isso funcionar, seu BIOS deve estar configurado para aceitar boot a partir de um dispositivo USB. Dependendo do computador, pode ser preciso pressionar uma tecla assim que ele for ligado para escolher o pendrive e dar boot por ele.

A partir do carregamento da distribuição Linux do pendrive, você deverá ver uma tela demonstrando o novo sistema operacional, como se ele já estivesse instalado. Essa é uma boa oportunidade para testar o sistema, vendo se ele atende a suas necessidades. Se aprovado, quando quiser instalá-lo, basta clicar duas vezes no ícone do instalador na área de trabalho. Se você já instalou Windows do zero alguma vez, provavelmente achará o assistente de instalação bem fácil de acompanhar, talvez até mais simples do que o do Windows.

Este artigo teve o intuito de ajudá-lo a dar os primeiros passos e incentivá-lo na adoção de um sistema operacional livre e grátis. Qualquer dúvida, deixe seu comentário. Espero ter contribuído e boa sorte!

Andre Valenti

Escrito por: Andre Valenti

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